Representações Sociais de Professores de Biologia de escolas estaduais do Paraná sobre Ciência: uma análise a partir da Epistemologia Fleckiana
DOI:
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2025v30n3p406Palavras-chave:
Atuação docente, Ludwik Fleck, Representações SociaisResumo
É consenso que a ciência deve ser compreendida em uma abordagem contextual, articulando as dinâmicas sociais e as relações de poder. Nesse sentido, a epistemologia de Ludwik Fleck (1896-1961) possui instrumentos analíticos importantes, como os conceitos de estilo de pensamento e coletivos de pensamento. Nessa direção, a Teoria das Representações Sociais pode oferecer um percurso teórico-metodológico para se pensar a Ciência em uma abordagem contextual. Este trabalho tem como objetivo analisar o conteúdo das Representações Sociais relacionadas à Ciência de professores de Biologia de escolas estaduais de uma região do estado do Paraná contrastando-o com as conjecturas da teoria dos estilos e coletivos de pensamento de Ludwik Fleck. Para isso, desenvolvemos uma pesquisa de abordagem quali-quanti, utilizando-se da Análise Fatorial de Correspondência a partir da Técnica de Associação Livre de Palavras e Análise de Conteúdo Temática. Então, constituímos quatro grupos sociais de acordo com o nível de formação, tempo de trabalho e visão de educação dos participantes. Após a análise das evocações, realizamos entrevistas com seis professores. Identificamos que as Representações Sociais dos grupos analisados, embora possuam particularidades, expressam as visões “distorcidas” em relação à Ciência, frequentemente associadas ao reducionismo-mecanicista cartesiano, o que é bastante comum em cientistas atuais.Referências
Abric, J. C. (1994). Pratiques sociales et représentations. Presses Universitaires de France.
Amaral, P. do, Camel, T., & Guerra, A. (2025). Visual culture and cultural history of science: Possibilities for studying the human body through images in science education. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 25, 1–24. https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2025u273296.
Antunes, R. (2022). A desertificação neoliberal no Brasil: Collor, FHC e Lula. Autores Associados.
Arroyo, M. (2019). Paulo Freire: Outro paradigma pedagógico? Educação em Revista, 35(1), 1–20. https://doi.org/10.1590/0102-4698214631.
Bittar, M., & Bittar, M. (2012). História da educação no Brasil: A escola pública no processo de democratização da sociedade. Acta Scientiarum. Education, 34(2), 157–168. https://doi.org/10.4025/actascieduc.v34i2.17497.
Bourdieu, P. (2015). A produção da crença: Contribuições para uma economia dos bens simbólicos. Zouk.
Brasil. (1996). Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União.
Brasil. Ministério da Educação. (2014). A democratização e expansão da educação superior no país (2003–2014). MEC.
Campos, P. H. F., & Rouquette, M. L. (2003). Abordagem estrutural e componente afetivo das representações sociais. Psicologia: Reflexão e Crítica, 16(1), 435–445. https://doi.org/10.1590/S0102-79722003000300003.
Chaib, F., & Chaib Filho, H. (2015). Aplicação da análise fatorial de correspondências na avaliação da influência do gesto na performance musical em percussão. Proceeding Series of the Brazilian Society of Computational and Applied Mathematics, 3(1), 1–7. https://doi.org/10.5540/03.2015.003.01.0321.
Chamon, E. M. Q. de O., & Sordillo, C. M. de O. (2024). Representações sociais da ciência: Estudo com professores de ensino médio. Revista Eletrônica Esquiseduca, 16(42), 244–258. https://doi.org/10.58422/repesq.2024.e1597.
Cibois, P. (1998). L’analyse factorielle. Presses Universitaires de France.
Costa, F. R. da S., Zanin, A. P. de S., Oliveira, T. A. L., & Andrade, M. A. B. S. (2017). As visões distorcidas da natureza da ciência sob o olhar da história e filosofia da ciência. ACTIO: Docência em Ciências, 2(2), 4–20. https://doi.org/10.3895/actio.v2n2.6808.
Coutinho, M. P., & Do Bú, E. (2017). A técnica de associação livre de palavras sob o prisma do software Tri-Deux-Mots. Revista Campo do Saber, 3(1), 219–243.
Doise, W. (1990). Les représentations sociales. In R. Ghiglione, C. Bonet, & J. F. Richard (Eds.), Traité de psychologie cognitive. Dunod.
Doise, W. (2001). Direitos do homem e força das ideias. Livros Horizonte.
Doise, W., Clémence, A., & Lorenzi-Cioldi, F. (1992). Représentations sociales et analyses des données. Presses Universitaires de Grenoble.
Feijó, R. L. C. (2015). A ideia de ciência em Karl Marx. Política & Sociedade, 14(31), 293–303. https://doi.org/10.5007/2175-7984.2015v14n31p293.
Fleck, L. (2010). Gênese e desenvolvimento de um fato científico. Fabrefactum.
Flick, U. (1994). Social representations and the social construction of everyday knowledge. Social Science Information, 33(2), 179–197. https://doi.org/10.1177/05390189403300200.
Francelin, M. M. (2004). Ciência, senso comum e revoluções científicas. Ciência da Informação, 33(1), 26–34. https://doi.org/10.1590/S0100-19652004000300004.
Freire-Maia, N. (1998). A ciência por dentro. Vozes.
Gil-Pérez, D., Fernández, I., Carrascosa, J., Cachapuz, A., & Praia, J. (2001). Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência & Educação (Bauru), 7(2), 125–153. https://doi.org/10.1590/S1516-73132001000200001.
Hidalgo, M. R., & Lorencini Júnior, A. (2021). A linguagem metacientífica no ensino de ciências. Revista Docência do Ensino Superior, 11(1), 281–298. https://doi.org/10.35699/2237-5864.2021.29527.
Justi, R., & Gilbert, J. (2019). Teachers’ views on the nature of models. International Journal of Science Education, 41(9), 1225–1244. https://doi.org/10.1080/0950069032000070324.
Kuhn, T. S. (2020). A estrutura das revoluções científicas. Perspectiva.
Lederman, N. G., Lederman, J. S., & Antink, A. (2014). Nature of science and scientific inquiry. International Journal of Education in Mathematics, Science and Technology, 2(3), 138–147.
Leite, J. C., & Magalhães Júnior, C. A. O. (2022). Teoria das representações sociais e formação docente. In F. Triani & S. Telles (Orgs.), Representações sociais sobre educação física, esporte e lazer. Autografia.
Losurdo, D. (2015). A luta de classes. Boitempo.
Lukács, G. (2015). Para uma ontologia do ser social (Vol. 1). Boitempo.
Marx, K. (2011). O capital: Livro I. Boitempo.
Matthews, M. R. (1995). História, filosofia e ensino de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 12(3), 164–214.
McComas, W. F. (2015). Revisiting the myths of science. In Nature of science in science instruction (pp. 3–18). Springer.
Minayo, M. C. S. (1998). O desafio do conhecimento (5ª ed.). Hucitec-Abrasco.
Moscovici, S. (1978). A representação social da psicanálise. Zahar.
Sasseron, L. H., & Carvalho, A. M. P. (2011). Alfabetização científica: uma revisão bibliográfica. Investigações em Ensino de Ciências, 16(1), 59–77. https://ienci.if.ufrgs.br/index.php/ienci/article/view/246.
Saviani, D. (2008). A nova lei da educação. Autores Associados.
Saviani, D. (2018). Escola e democracia. Autores Associados.
Stuckey, M., Heering, P., Mamlok-Naaman, R., Hofstein, A., & Eilks, I. (2015). The philosophical works of Ludwik Fleck. Science & Education, 24(3), 281–298. https://doi.org/10.1007/s11191-014-9723-9.
Takahashi, B. T. (2018). A formação inicial de professores de ciências no estágio supervisionado [Tese de doutorado. Universidade Estadual de Maringá].
Türcke, C. (2010). Sociedade excitada. Editora Unicamp.Dardot, P., & Laval, C. (2016). A nova razão do mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. Boitempo.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Marllon Moreti de Souza Rosa, Mariana Aparecida Bologna Soares de Andrade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A IENCI é uma revista de acesso aberto (Open Access), sem que haja a necessidade de pagamentos de taxas, seja para submissão ou processamento dos artigos. A revista adota a definição da Budapest Open Access Initiative (BOAI), ou seja, os usuários possuem o direito de ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, buscar e fazer links diretos para os textos completos dos artigos nela publicados.
O autor responsável pela submissão representa todos os autores do trabalho e, ao enviar o artigo para a revista, está garantindo que tem a permissão de todos para fazê-lo. Da mesma forma, assegura que o artigo não viola direitos autorais e que não há plágio no trabalho. A revista não se responsabiliza pelas opiniões emitidas.
Todos os artigos são publicados com a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional. Os autores mantém os direitos autorais sobre suas produções, devendo ser contatados diretamente se houver interesse em uso comercial dos trabalhos.