Divulgação Científica plataformizada: distintas afetações para o Ensino de Ciências
DOI:
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2026v31n1p235Palavras-chave:
Divulgação Científica, Ensino de Ciências, Cultura científica, Plataformas Digitais, YouTubeResumo
A performatividade algorítmica, os sistemas de recomendação e as lógicas de mercado das plataformas digitais afetam a circulação e modulam o acesso a conteúdos científicos. Nesse cenário, a Divulgação Científica (DC), enquanto meio de interlocução entre a cultura científica e a sociedade, ganha distintas tecituras diante de ambientes sociotécnicos plataformizados. Assim, o objetivo desta pesquisa é investigar o modo como um grupo de professores de Ciências da Natureza compreende as questões associadas à Divulgação Científica em plataformas digitais. A pesquisa, de natureza qualitativa, envolveu entrevistas com nove professores de Ciências da Natureza que atuam na educação básica e são estudantes de pós-graduação. Em síntese, a análise evidencia que humanos e não humanos agem no interior das associações estabelecidas nas plataformas digitais e, por consequência, afetam a DC e o Ensino de Ciências. Tais afetações se orientam a partir de dimensões materiais, simbólicas, sociais, políticas e performativas. Portanto, os múltiplos campos de afetação reestruturam o processo de ensino de ciências demandando um olhar crítico por parte de professores e estudantes, buscando conciliar o potencial democratizador dessas ambiências com o rigor e a profundidade necessários para a formação científica.Referências
Almeida, J. V. V., & Moreno-Rodríguez, A. S. (2024). Divulgação Científica Nas Redes Sociais Digitais: Experiências E Implicações Para A Formação De Licenciandos Em Biologia. Investigações em Ensino de Ciências, 29(2), 460-478. http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2024v29n2p460
Alves, L. (2022). Plataformas digitais, jogos digitais e divulgação científica: pesquisas e práticas. EDUFBA. https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/35659/3/Plataformas%20digitais-repositorio.pdf
Alves, L., & Lopes, D. (2024). Educação e plataformas digitais popularizando saberes, potencialidades e controvérsia. Edufba.
Barbier, R. (2002). Escuta sensível na formação de profissionais de saúde. Conferência apresentada na Escola Superior de Ciências da Saúde – FEPECS-SES-GDF, Brasília, DF, Brasil.
Barbosa, A. R. (2023). Divulgação científica na internet: Criatividade e (re)produção didática no trabalho de ‘criadores de conteúdo online’ de física para YouTube e TikTok [Tese de doutorado, Universidade Federal da Bahia]. Repositório Institucional da UFBA. https://repositorio.ufba.br/handle/ri/37294/
Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo. Edições 70.
Bitzenbauer, P., Höfler, S., Veith, J. M., Winkler, B., Zenger, T., & Kulgemeyer, C. (2023a). Exploring the relationship between surface features and explaining quality of YouTube explanatory videos. International Journal of Science and Mathematics Education, 1–24. https://doi.org/10.1007/s10763-022-10351-w
Bitzenbauer, P., Teußner, T., Veith, J. M., & Kulgemeyer, C. (2023b). (How) do pre-service teachers use YouTube features in the selection of instructional videos for physics teaching? International Journal of Science Education. https://doi.org/10.1007/s11165-023-10148-z
Blanco, B., Amaral, A. R., & Goulart, L. A. (2022). Disputas interseccionais a partir da divulgação científica nas plataformas digitais: As contradições entre cientista e influenciador em Átila Iamarino. Revista Fronteiras, 24(1). https://revistas.unisinos.br/index.php/fronteiras/article/view/23983
Brasil. (2017). Base Nacional Comum Curricular: Educação é a base (Versão final). Ministério da Educação. https://observatoriodoensinomedio.ufpr.br/wp-content/uploads/2017/04/BNCC-Documento-Final.pdf
Brasil. (2018). Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD. Diário Oficial da União. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm
Brasil. (2014). Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014: Marco Civil da Internet. Diário Oficial da União. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm
Brito, R. C., Ferreira, M. A., Passos, C. G., Sirtori, C., & Simon, N. M. (2024). DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NO YOUTUBE: A NATUREZA DAS PERGUNTAS PRESENTES NOS COMENTÁRIOS DE UM VÍDEO DO CANAL NERDOLOGIA. Investigações em Ensino de Ciências, 29(1), 291-308. http://dx.doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2024v29n1p291
Bruno, F. G., Bentes, A. C. F., & Faltay, P. (2019). Economia psíquica dos algoritmos e laboratório de plataforma: Mercado, ciência e modulação do comportamento. Revista Famecos, 26(3), e33095. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2019.3.33095
Callon, M. (2008). Entrevista com Michel Callon: dos estudos de laboratório aos estudos de coletivos heterogêneos, passando pelos gerenciamentos econômicos. Sociologias, 10(20), 302–321. https://doi.org/10.1590/S1517-45222008000100013
CGI.br – Comitê Gestor da Internet no Brasil & Cetic.br – Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. (2023). TIC Kids Online Brasil 2023 – Principais resultados. https://cetic.br/media/analises/tic_kids_online_brasil_2023_principais_resultados.pdf
Costa, V. S., & Cruz, L. (2024). “Trabalho de Plataforma” e Divulgadores de Ciência: Precarização e Novos Mediadores. Revista Latinoamericana De Ciencias De La Comunicación, 23(46). https://doi.org/10.55738/alaic.v23i46.1138
Coutinho, D. A. (2021). O consumidor e modulação algorítmica de comportamento: a influência da Inteligência Artificial por meio de algoritmos no poder decisório do consumidor. Editora Dialética.
Coutinho, F. Â., & Oliveira, F. S. (2021). Ciências na escola: O novo coronavírus como tema gerador de sequências didáticas. São Paulo: Editora Na Raiz.
Cunha, M. B. da. (2019). Divulgação científica: diálogos com o ensino de ciências (1ª ed.). Appris.
Dourado, S., & Ribeiro, E. (2023). Metodologia qualitativa e quantitativa. In C. A. O. Magalhães Júnior & M. C. Batista (Orgs.), Metodologia da pesquisa em educação e ensino de ciências (2ª ed., pp. 12–30). Atena.
Delizoicov, D., Angotti, J. A., & Pernambuco, M. M. C. A. (2018). Ensino de ciências: Fundamentos e métodos. Cortez.
Dourish, P. (2016). Algorithms and their others: Algorithmic culture in context. Big Data & Society, 3(2), 2053951716665128. https://doi.org/10.1177/2053951716665128
Fonseca, V. F., et al. (2022). Divulgação científica nas mídias digitais: Uma proposta de análise para uso no ensino de ciências. ACTIO: Docência em Ciências, 7(2), 1–21. https://periodicos.utfpr.edu.br/actio/article/view/14264
Freire, P. (2013). Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa (45ª ed.). Paz e Terra.
Giordan, M., et al. (2015). Divulgação científica na sala de aula: Perspectiva e possibilidades. Editora Inijui.
Grusin, R. (Ed.). (2015). The nonhuman turn. University of Minnesota Press.
Kulgemeyer, C. (2020). A framework of effective science explanation videos informed by criteria for instructional explanations. Research in Science Education, 50(6), 2441–2462. https://doi.org/10.1007/s11165-018-9787-7
Latour, B. (2012). Reagregando o social: Uma introdução à teoria do ator-rede (G. C. C. de Souza, Trad.). EDUFBA; UDUSC.
Law, J. (1992). Notes on the theory of the actor-network: Ordering, strategy, and heterogeneity. Systems Practice, 5(4), 379–393. https://doi.org/10.1007/BF01059830
Lemos, A. (2020). Epistemologia da comunicação, neomaterialismo e cultura digital. Galáxia (São Paulo), (43), 54–66. https://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/view/43970.
Lewenstein, B. (2003). Models of public communication science and technology. Cornell University.
Lima, B. O. A., & Alves, L. R. (2024). Divulgação científica em plataformas digitais: Uma revisão sistemática da literatura. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, 23(3).
Lima, G. da S., & Giordan, M. (2017). Propósitos da divulgação científica no planejamento de ensino. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, 19, e2932. https://doi.org/10.1590/1983-21172017190122
Lombardi, M. R. (Org.), Ávila, M. A. (Org.), & Paula, M. A. B. de (Org.). (2021). O prazer da entrevista em pesquisas qualitativas. Editora CRV.
Lopes, D. S. (2023). Plataformização e a formação de professores das ciências da natureza: Interfaces com as mídias audiovisuais e sonoras (Tese de doutorado, Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia). Repositório UFBA. https://repositorio.ufba.br/handle/ri/37424
Lopes, D. S., Alves, L. R. G., & Lira-da-Silva, R. M. (2021). O processo de instrumentalização no ensino de Ciências: Uma revisão sobre o uso das tecnologias digitais. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, 12(3), 1–26. https://doi.org/10.26843/rencima.v12n3a28
Matthews, M. R. (2015). The contribution of history and philosophy of science (2nd ed.). Routledge.
Mancoso, K., Paes, A., de Oliveira, T., & Massarani, L. (2023). Pesquisa em desinformação e divulgação científica: uma revisão da literatura latino-americana. Journal of Science Communication-América Latina, 6(1), A01.
Monteiro-Krebs, L. (2022). Recommendations in academic social media: The shaping of scholarly communication through algorithmic mediation (Tese de doutorado, Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre).
Muldoon, J. (2022). Platform socialism: How to reclaim our digital future from big tech. Londres: Pluto Press.
Pinheiro, B. C. S., & Oliveira, R. D. V. L. (2019). Divulgação... de qual ciência? Diálogos com epistemologias emergentes. In M. B. Rocha & R. D. V. L. Oliveira (Orgs.), Divulgação científica: Textos e contextos (pp. 1–11). Editora Livraria da Física.
Rocha, M. B., & Oliveira, R. D. V. L. (Orgs.). (2019). Divulgação científica: textos e contextos (1ª ed., pp. 13–23). Livraria da Física.
Rosenthal, S. (2018). Motivations to seek science videos on YouTube: Free-choice learning in a connected society. International Journal of Science Education, Part B, 8(1), 22–39. https://doi.org/10.1080/21548455.2017.1371357
Senise, D. S. V., & Batista, L. L. (2020). Bolhas de informação e a comunicação da saúde pública. BIS. Boletim do Instituto de Saúde, 21(1), 17–30. https://doi.org/10.52753/bis.v21i1.36721
Shen, B. S. P. (1975). Science literacy. American Scientist, 63(3), 265–268. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/pdfplus/27845461.pdf.
Silva, P., & Pretto, N. (2021). Sociomaterialidade e teoria ator-rede na educação. Atos de Pesquisa em Educação, 16, 8676. https://doi.org/10.7867/1809-0354202116e8676
Tomaz, R., Guedes, B., & Monteiro, M. C. (2022). Política de anúncio em conteúdo infantil: Lacunas para cidadania digital no YouTube. In Cetic.br (Ed.), TIC Kids Online Brasil 2021 (pp. 105–111). Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação. https://bibliotecadigital.acervo.nic.br/items/77efdffb-1f3f-42b6-964a-968261a569ec
Van Dijck, J., Poell, T., & Waal, M. (2018). The platform society: Public values in a connective world. Oxford University Press.
Vogt, C. (2003). A espiral da cultura científica. Revista Com Ciência. Disponível em: https://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/cultura/cultura01.shtml.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Beatriz Oliveira de Almeida Lima, Lynn Rosalina Gama Alves

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A IENCI é uma revista de acesso aberto (Open Access), sem que haja a necessidade de pagamentos de taxas, seja para submissão ou processamento dos artigos. A revista adota a definição da Budapest Open Access Initiative (BOAI), ou seja, os usuários possuem o direito de ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, buscar e fazer links diretos para os textos completos dos artigos nela publicados.
O autor responsável pela submissão representa todos os autores do trabalho e, ao enviar o artigo para a revista, está garantindo que tem a permissão de todos para fazê-lo. Da mesma forma, assegura que o artigo não viola direitos autorais e que não há plágio no trabalho. A revista não se responsabiliza pelas opiniões emitidas.
Todos os artigos são publicados com a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional. Os autores mantém os direitos autorais sobre suas produções, devendo ser contatados diretamente se houver interesse em uso comercial dos trabalhos.