Colonialidade e Decolonialidade na Pesquisa em Educação em Ciências e em Educação Ambiental: possibilidades de luta por igualdade social, racial e educacional
DOI:
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2025v30n3p230Palabras clave:
Colonialidade, Decolonialidade, Educação em Ciências, Educação AmbientalResumen
A colonialidade – do poder, do saber e do ser – diz respeito a um processo que transcende a colonização, perdurando nas ex-colônias mesmo após a independência política. De acordo com o conceito de colonialidade do poder, proposto por Aníbal Quijano, esse processo se sustenta essencialmente na classificação racial/étnica da população mundial. Nos espaços educacionais, as relações sociais são atravessadas pela colonialidade, onde prevalece a visão de mundo do colonizador. Processos de colonialidade permeiam a subjetividade e a cultura, fazendo com que pessoas diferentes do modelo de homem branco heterossexual sejam inferiorizadas. Trazer o conceito de decolonialidade, – que se opõe à colonialidade – para os campos da Educação em Ciências e Educação Ambiental envolve discutir temas como o preconceito racial/étnico e as questões de gênero, que afetam os processos educativos, as relações sociais e tornam a sociedade menos justa e democrática. O pensamento decolonial implica um comprometimento com a transformação da realidade dos povos subalternizados. A partir deste quadro teórico, este trabalho teve como objetivo responder à questão: de que formas a pesquisa na Educação em Ciências e na Educação Ambiental sobre os conceitos de colonialidade e decolonialidade pode favorecer a construção de uma educação científica mais democrática e menos desigual? Para tal, realizamos uma revisão de literatura em periódicos dessas áreas sobre as temáticas da colonialidade e decolonialidade.Referencias
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