“As lembranças do passado surgem como um fantasma”: Currículos para Educação Étnico-Racial Crítica em Narrativas (Auto)Biográficas de Professores/as de Biologia
DOI:
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2025v30n1p08Palabras clave:
Educação Étnico-Racial Crítica, Formação de Professores/as de Biologia, Ensino de Ciências e Biologia, Estudos Culturais, Estudos Pós-ColoniaisResumen
Este artigo objetivou analisar a formação para a Educação Étnico-Racial Crítica (EERC) a partir de currículos que emergem das narrativas (auto)biográficas de docentes de Biologia do Nordeste brasileiro. Para alcançar o objetivo nos valemos de uma Revisão Sistemática da Literatura nas pesquisas (auto)biográficas de professores/as de Biologia dispostas nos Repositórios Institucionais online das Universidades Federais nordestinas, cujos dados foram analisados pela perspectiva compreensiva-interpretativa. Os resultados nos possibilitam argumentar que a EERC se fundamenta, a passos lentos, em currículos formais e em ação para a formação de professores/as de Biologia, mas, sobretudo, de forma mais efetiva em currículos outros existentes em instituições não escolares que contribuem para a formação para a docência em Biologia no Nordeste do Brasil. Além disso, currículos ocultos e vazios têm surgido enquanto assombrações que impossibilitam formar professores/as para educar para as Relações Étnico-Raciais em uma abordagem crítica e antirracista para o Ensino de Ciências e Biologia.Referencias
Almeida, L. C, & Betini, G. A. (2015). Investigação sobre a escola e seu entorno: um estudo bibliográfico de produções nacionais. Revista de Educação Pública, 24(55), 33–56. https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/educacaopublica/article/view/810
Almeida, S. L. (2018). O que é racismo estrutural? Letramento.
Andrade, A. A. M. S. (2021). Formação de professores(as) no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UFC: um olhar autobiográfico. [Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação, Universidade Federal do Ceará]. Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará. http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/59471
Baniwa, G. (2019). Educação Escolar Indígena no século XXI: encantos e desencantos. Mórula, Laced.
Carvalho, J. C., Medeiros, L. G., & Maknamara, M. (2016). Narrativas (auto)biográficas nas pesquisas em Ensino de Biologia no Brasil. Revista de Ensino de Biologia da Associação Brasileira de Ensino de Biologia, 9(6), 631–642. https://www.sbenbio.org.br/revistas/renbio-edicao-9/
Chaves, S. (2016). Um currículo para despertar adultos e adormecer crianças. In S. Chaves, C. A. Silva, & M. R. Brito (Eds.). Cultura e subjetividade (pp. 215-226). Livraria da Física.
Cruz, D. G. (2021). Caminhos para uma perspectiva decolonial no ensino de Ciências. In M. L. F. Araújo & J. A. Silva (Orgs.). Ensino de Ciências e Biologia: Discussões em torno da Educação para as Relações Étnico-Raciais na Formação e Prática Pedagógica de Professoras e Professores (pp. 209-236). EdUPE.
D’adesky, J. (2002). Racismo e discriminação. In E. Borges, C. A. Medeiros, & J. D’Adesky (Orgs.). Racismo, preconceito e intolerância (pp. 41-62). Atual.
Domingues, P. (2007). Movimento Negro Brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, 12(23), 100-122. https://doi.org/10.1590/S1413-77042007000200007
Faria Filho, L. M. (2002). Escolarização, culturas e práticas escolares: elementos teórico-metodológicos de um programa de pesquisa. In A. Lopes & E. Macedo (Orgs.). Disciplinas e integração curricular: história e políticas (pp. 13-36). DP&A.
Fernandes, K. M. (2021). Escrita ventaneada de uma professora negra no educar para as relações étnico-raciais na Licenciatura em Biologia. In M. L. F. Araújo & J. A. Silva (Orgs.). Ensino de Ciências e Biologia: Discussões em torno da Educação para as Relações Étnico-Raciais na Formação e Prática Pedagógica de Professoras e Professores (pp. 330-347). EdUPE.
Freire, P. (2011). Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a prática educativa. Paz e Terra.
Freire, P. (2020). Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra.
Freires, A. L. S. (2019). Como as vivências em uma escola indígena participaram da formação de uma futura professora de Biologia? [Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal do Ceará]. Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará. http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/48270
Gomes, N. L. (2005). Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. SECAD/MEC.
Gomes, N. L. (2012). Relações étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. Revista Currículo sem Fronteiras, 12(1), 98-109.
Gomes, N. L. (2017). O Movimento Negro educador: Saberes construídos nas lutas por emancipação. Vozes.
Gomes, N. L. (2019). O Movimento Negro e a intelectualidade negra descolonizando os currículos. In J. Bernardino-Costa, N. Maldonado-Torres, & R. Grosfoguel (Orgs.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico (pp. 223-246). Autêntica.
Gomes, N. L. (2020). A força educativa e emancipatória do Movimento Negro em tempos de fragilidade democrática. Revista Teias, 21(62), 360-371. https://doi.org/10.12957/teias.2020.49715
Gomes, N. L. (2022). O Movimento Negro Educador: releituras, encontros e trocas de saberes. In N. L. Gomes (Org.). Saberes e lutas do Movimento Negro Educador (pp. 19-69). Vozes.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2022). Censo Brasileiro de 2022. IBGE.
Lei nº 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. Presidência da República. Diário Oficial da União. Brasília, DF.
Lei nº 11.6454, de 10 de março de 2008. Dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Presidência da República. Diário Oficial da União. Brasília, DF.
Luciano, G. S. (2006). O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. MEC/Secad, Museu Nacional/UFRJ.
Maknamara, M. (2015). Natureza e desenhos animados: conexões com a formação docente em Ciências. Alexandria Revista de Educação em Ciências e Tecnologia, 8(2), 75–87. http://dx.doi.org/10.5007/1982-5153.2015v8n2p75
Maknamara, M. (2020). Quando artefatos culturais fazem-se currículos e produzem sujeitos. Reflexão & Ação, 28(2), 58–72. https://doi.org/10.17058/rea.v28i2.14189
Maknamara, M. (2022). Cruzando fronteiras discursivas de pesquisas em ensino de Ciências: em foco, currículos. Revista Insignare Scientia, 5(4), 262–281. https://doi.org/10.36661/2595-4520.2022v5n4.13255
Maknamara, M., & Paraíso, M. A. (2013). Pesquisas Pós-Críticas em Educação: notas metodológicas para investigações com currículos de gosto duvidoso. Revista da Faculdade de Educação da Bahia- Educação e Contemporaneidade, 22(40), 41–53. https://doi.org/10.21879/faeeba2358-0194.2013.v22.n40.p41-53
Maldonado-Torres, N. (2019). Analítica da colonialidade e da decolonialidade: algumas dimensões teóricas. In J. Bernardino-Costa, N. Maldonado-Torres, & R. Grosfoguel (Orgs.). Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico (pp. 27-54). Autêntica.
Mignolo, W. (2008). Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da Universidade Federal Fluminense, 34, 287-324.
Minayo, M. C. S. (1994). Ciência, Técnica e Arte: o desafio da pesquisa social. In S. F. Deslandes, O. Cruz Neto, R. Gomes, & M. C. S. Minayo (Orgs.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade (pp. 9-30), Vozes.
Morais, M. B. (2016). Foucault e a história da formação de professores de matemática: aproximações e contribuições. In Anais do 3º Encontro Nacional de Pesquisa em História da Educação Matemática (pp 98-109). Vitória, ES, Brasil. https://periodicos.ufms.br/index.php/ENAPHEM/article/view/6141
Munanga, K. (2004). Uma abordagem conceitual das nações de raça, racismo, identidade e etnia. In A. A. P. Brandão. Programa de Educação sobre o negro na sociedade brasileira. EdUFF.
Munduruku, D. (2012). O caráter educativo do movimento indígena brasileiro (1970-1990). Paulinas.
Neira, M. G. (2020). O currículo cultural e a afirmação das diferenças. In C. Boto, V. M. Santos, V. B. Silva, & Z. V. A. Oliveira. (Orgs.). A escola pública em crise: inflexões, apagamentos e desafios (pp. 183-201). Livraria da Física.
Okoli, C. (2019). Guia para realizar uma revisão sistemática da literatura. EaD em Foco, 9(1), e748. https://doi.org/10.18264/eadf.v9i1.748
Paraíso, M. A. (2007). Currículo e mídia educativa brasileira: poder, saber e subjetivação. Argos.
Paraíso, M. A. (2023). Currículos: teorias e políticas. Contexto.
Passeggi, M. C. (2023). A ética na pesquisa com narrativas de vida em educação. In Comissão de Ética em Pesquisa da ANPEd (Org.). Ética e pesquisa em Educação: subsídios (pp. 198-211). ANPEd.
Pinheiro, B. C. S. (2021). História Preta das Coisas: 50 invenções científico-tecnológicas de pessoas negras. Livraria da Física.
Pinheiro, B. C. S. (2023). Como ser um educador antirracista. Planeta do Brasil.
Quijano, A. (2005). Colonialidade do Poder, Eurocentrismo e América Latina. In E. Lander (Org.). A Colonialidade do Saber: Eurocentrismo e Ciências Sociais (pp. 227-278). CLACSO.
Ramos, D. M., & Nascimento, V. G. (2008). A família como instituição moderna. Fractal: Revista de Psicologia, 20(2), 461-472. https://doi.org/10.1590/S1984-02922008000200012
Resolução nº 1, de 17 de junho de 2004. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Ministério da Educação. Diário Oficial da União. Brasília, DF.
Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016. Dispõe de normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Ministério da Saúde. Diário Oficial da União. Brasília, DF.
Rosa, I. S. C., & Almeida, R. O. (2020). Experiências didáticas comprometidas com a diversidade de culturas: relatos de professores/as de Biologia em formação inicial. In Anais do XIV Colóquio Internacional Educação e Contemporaneidade (pp. 1-14). São Cristóvão, SE, Brasil.
Santana, L. C. (2021). (Com)posições docentes em narrativas de formação de um professor de Ciências e Biologia. [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal da Bahia]. Repositório Institucional Universidade Federal da Bahia. https://repositorio.ufba.br/handle/ri/33489
Santana, L., & Maknamara, M. (2022). O estudar como experiência estética: narrativas de um estudante de origem popular. Debates em Educação, 14(35), 152–163. https://doi.org/10.28998/2175-6600.2022v14n35p152-163
Santomé, J. T. (2011). As culturas negadas e silenciadas no currículo. In T. T. Silva (Org.). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação (pp. 155-172). Vozes.
Santos Filho, E. F., & Alves, J. B. (2017). A tradição oral para povos africanos e afro-brasileiros: relevância da palavra. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as, 9(Ed. Esp.), 50-76. https://abpnrevista.org.br/site/article/view/464
Santos, F. H. O., Pádua, K. C., & Almada, E. D. (2021). “Compadre Angico”: etnobotânica e ensino de Ciências em narrativas do Povo Pataxó. In M. L. F. Araújo & J. A. Silva (Orgs.). Ensino de Ciências e Biologia: Discussões em torno da Educação para as Relações Étnico-Raciais na Formação e Prática Pedagógica de Professoras e Professores (pp. 284-304). EdUPE.
Santos, F. R. (2020). O silêncio na formação e o reflexo na sala de aula: por onde andam as questões raciais na construção do futuro professor de Ciências e Biologia. [Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação, Universidade Federal do Ceará]. Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará. http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/59438
Silva, J. A. (2018). Conhecimentos Etnobiológicos e Educação Escolar Quilombola: um olhar intercultural para o ensino de Ciências. [Dissertação de Mestrado, Universidade de Pernambuco]. Atrio Repositório Institucional do Programa de Pós-Graduação em Educação, Mestrado Profissional em Educação da Universidade de Pernambuco. https://w2files.solucaoatrio.net.br/atrio/upe-ppge_upl/THESIS/67/dissertao_de_mestrado_em_educao._joaklebio_silva._2018._upe.converted_20190128125831256.pdf
Silva, J. A. (2022). Educação Étnico-Racial Crítica para o ensino de Ciências: descolonizando caminhos na formação inicial de professoras e professores de Biologia. [Tese de Doutorado, Universidade Federal Rural de Pernambuco]. Repositório Institucional da Universidade Federal Rural de Pernambuco. http://www.tede2.ufrpe.br:8080/tede2/handle/tede2/8663
Silva, J. A., & Ramos, M. A. (2019). Conhecimentos tradicionais e o ensino de Ciências na Educação Escolar Quilombola: um estudo etnobiológico. Investigações em Ensino de Ciências, 24(3), 121–146. https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2019v24n3p121
Silva, J. A., Virgílio, L., G., Nascimento, R. O., & Maknamara, M. (2024). Narrativas (auto)biográficas de professores(as) do Nordeste brasileiro: uma revisão sistemática da literatura. Revista NUPEM do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento da Universidade Estadual do Paraná, 16(37), 1–20. https://doi.org/10.33871/nupem.2024.16.37.7840
Silva, P. P. (2017). Estudei a vida e a vida ofereceu-me o ensino: trajetórias identitárias de uma professora-pesquisadora que ensina Ciências. [Tese de Doutorado, Universidade Federal da Bahia; Universidade Estadual de Feira de Santana]. Repositório Institucional Universidade Federal da Bahia. https://repositorio.ufba.br/handle/ri/23029.
Silva, T. T. (2000). Teoria cultural e educação: um vocabulário crítico. Autêntica.
Silva, T. T. (2001). Os novos mapas culturais e o lugar do currículo numa paisagem pós-moderna. In T. T. Silva & A. Moreira (Orgs.). Territórios contestados: o currículo e os novos mapas políticos e culturais (pp. 184-202). Vozes.
Silva, T. T. (2005). Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. Autêntica.
Soares, J. P. B. (2016). Trajetória docente: um estudo sobre a história de vida e a formação de um licenciando da UFC. [Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal do Ceará]. Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará. http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/59596
Souza, E. C. (2014). Diálogos cruzados sobre pesquisa (auto)biográfica: análise compreensiva-interpretativa e política de sentido. Educação, 39(1), 39-50. https://doi.org/10.5902/1984644411344
Souza, M. V., Baptista, G. C. S., Santana, U. S., & Barbosa, R. H. (2023). Etnobotânica das plantas alimentícias e diálogo intercultural no Ensino de Biologia. Investigações em Ensino de Ciências, 28(1), 157-175. https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2023v28n1p157
Vasconcelos, H. M. T., & Maknamara, M. (2023). Escritos em Arquitetura e Educação: ensino de desenho, didática de projeto, espaço escolar, cultura. Ideia.
Verrangia, D. (2009). A educação das relações étnico-raciais no ensino de Ciências: diálogos possíveis entre Brasil e Estados Unidos. [Tese de Doutorado, Universidade Federal de São Carlos]. Repositório Institucional da Universidade Federal de São Carlos. https://repositorio.ufscar.br/items/8dd5c994-2e35-461a-9676-acbfb860187b
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 Joaklebio Alves da Silva, Marlécio Maknamara

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial 4.0.
La IENCI es una revista de acceso libre (Open Access) y no hay cobro de ninguna tasa ya sea por el envío o procesamiento de los artículos. La revista adopta la definición de la Budapest Open Access Initiative (BOAI), es decir, los usuarios tienen el derecho de leer, descargar, copiar, distribuir, imprimir, buscar y hacer links directos a los textos completos de los artículos publicados en esta revista.
El autor responsable por el envío representa a todos los autores del trabajo y, al enviar este artículo para su publicación en la revista está garantizando que posee el permiso de todos para hacerlo. De igual manera, garantiza que el artículo no viola los derechos de autor y que no hay plagio en lugar alguno del trabajo. La revista no se responsabiliza de las opiniones emitidas en los artículos.
Todos los artículos de publican con la licencia Reconocimiento-NoComercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0). Los autores mantienen sus derechos de autor sobre sus producciones y deben ser contactados directamente en el caso de que hubiera interés en el uso comercial de su obra.