O Uso de Classificadores na Libras para a Construção de Conceitos sobre Ligações Químicas: um estudo semiótico
DOI:
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2026v31n1p35Palabras clave:
Ensino de Química, Intérpretes Educacionais, Libras, SemióticaResumen
O Ensino de Química em uma escola que visa ser inclusiva a Surdos passa pelo trabalho do Tradutor/Intérprete Educacional, o qual precisa expressar em Língua Brasileira de Sinais - Libras conceitos complexos e abstratos que, por vezes, ainda não possuem um sinal-termo específico. Nesta conjuntura, há o recorrente uso de classificadores para representar os fenômenos químicos e seus sujeitos em Libras. Sendo assim, este artigo se propõe a discutir, apoiado na teoria semiótica de C. S. Peirce, aspectos linguísticos e semióticos no uso de classificadores vinculados ao conceito de ‘ligação química’ e suas relações com a produção de sentidos. Os dados foram obtidos em uma aula de Química com o tema ‘Regra do Octeto’, no 1º ano do Ensino Médio, com a presença de um estudante Surdo, na qual, por meio de filmagens que direcionaram o foco em uma Intérprete Educacional de Português/Libras, foi possível aferir que os classificadores figuraram como um recurso produtivo no que diz respeito a construção progressiva do conceito de ligação química e demais terminologias que se conectam a tal fenômeno químico.Referencias
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