O currículo de Ciências nos anos 1960: disputas curriculares para além da centralidade do método científico
DOI:
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2026v31n1p381Palabras clave:
História do currículo, Ensino de Ciências, disciplina escolar, curriculo oficialResumen
Este estudo tem como objetivo analisar as tendências do ensino de Ciências no primeiro currículo oficial do estado do Ceará, denominado Livro da professora, elaborado nos anos 1960 para o ensino primário, destinado a crianças de 7 a 10 anos. A pesquisa, de natureza empírica, qualitativa e documental, envolveu duas etapas: a identificação e a digitalização do Livro da professora a partir de acervos públicos e, posteriormente, sua análise por meio da abordagem de Análise Textual Discursiva, em diálogo com estudos sobre a história curricular e as disciplinas escolares. Neste artigo, discutem-se três categorias: Categoria 1 – A defesa de um currículo moderno e dialógico nos anos 1960; Categoria 2 – Conhecimentos escolares e finalidades propostos para Ciências da Natureza; e Categoria 3 – Valorização de atividades práticas e acríticas no currículo de Ciências. O Livro da professora estabelece um discurso de modernidade incorporando ideias freireanas, como o diálogo, conceitos piagetianos sobre a aprendizagem, bem como a ideia de planejamento educacional. Apresenta como foco estimular o pensamento científico, ao mesmo tempo que essa finalidade se mistura com concepções cristãs sobre a natureza e o corpo humano, evidenciando a influência de agentes católicos na construção da disciplina de Ciências nos anos 1960. Soma-se a isso a presença de atividades domésticas como atividades práticas para as aulas de Ciências. Trata-se, portanto, de um currículo pioneiro e contraditório, que ajuda a entender as disputas na construção da disciplina escolar Ciências para além da ênfase no método científico e na experimentação escolar, que foram característicos do movimento de renovação.Referencias
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