Percepção de Ciência e Pseudociência: O que revelam os licenciandos em Ciências Naturais?
DOI:
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2026v31n2p381Palavras-chave:
Formação de Professores de Ciências da Natureza, Natureza da Ciência, Pseudociência, Alfabetização CientíficaResumo
A presente investigação apresenta os resultados de um índice de alfabetização científica, construído com base em escalas internacionais e adaptado ao cenário brasileiro, incorporando práticas e crenças específicas presentes no debate público nacional. O estudo parte da análise das percepções sobre a natureza da ciência e pseudociência entre licenciandos em Ciências Biológicas, Física e Química. Com abordagem quali-quantitativa, utilizou-se como instrumento de pesquisa um questionário online, respondido por 173 estudantes de cursos presenciais em instituições públicas brasileiras. Nossos resultados revelam compreensão moderada sobre princípios da ciência, mas dificuldades recorrentes na demarcação entre ciência e pseudociência. Estudantes dos anos finais (seniores) demonstraram desempenho superior aos calouros, embora de forma heterogênea entre os cursos. Em relação aos cursos, os maiores níveis de alfabetização científica foram dos estudantes de Física, seguidos de Biologia e, por último, Química. Os resultados reforçam a necessidade de integrar, de maneira sistemática, conteúdos de epistemologia, história e filosofia da ciência na formação docente, como estratégia para promover o pensamento crítico e enfrentar a disseminação das pseudociências no contexto educacional.Referências
Adam, A., & Manson, T. M. (2014). Using a pseudoscience activity to teach critical thinking. Teaching of Psychology, 41(2), 130–134. https://doi.org/10.1177/0098628314530343
Bogdan, R., & Biklen, S. (1994). Investigação qualitativa em educação: Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto Editora.
Brasil, Ministério da Educação. (2018). Base Nacional Comum Curricular. https://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/relatorios-analiticos/BNCC-APRESENTACAO.pdf
Brasil, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. (2022). Censo da Educação Superior 2021. Ministério da Educação.
Bunge, M. (1984). What is pseudoscience? Skeptical Inquirer, 9(1), 36–46. https://skepticalinquirer.org/1984/10/what-is-pseudoscience
Bunge, M. (1987). Epistemologia: Curso de atualização (C. Navarra, Trad., 2ª ed.). T.A. Queiroz: Editora da Universidade de São Paulo.
Bunge, M. (2002). Dicionário de filosofia (G. K. Guinsburg, Trad.). Perspectiva.
Cadena-Nogales, P. D., Solaz-Portolés, J. J., Echegoyen-Sanz, Y., & Sanjosé-López, V. (2022). Level of acceptance of epistemically unwarranted beliefs in pre-service primary school teachers: Influence of cognitive style, academic level, and gender. Journal of Baltic Science Education, 22(3), 398–407. https://doi.org/10.33225/jbse/22.21.398
Carvalho, A. M. P., & Gil-Pérez, D. (2011). Formação de professores de Ciências: tendências e inovações (10ª ed.). Cortez.
Chalmers, A. F. (1993). O que é ciência afinal? (R. Fiker, Trad., 2ª ed.). Brasiliense.
Creswell, J. W., & Plano Clark, V. L. (2011). Designing and conducting mixed methods research (2nd ed.). SAGE Publications.
Demo, P. (2010). Educação científica. Revista de Educação Profissional, 36(1), 15–25. https://senacbts.emnuvens.com.br/bts/article/view/224/207
Fasce, A., & Picó, A. (2019). Science as a vaccine: The relation between scientific literacy and unwarranted beliefs. Science & Education, 28(1–2), 109–125. https://doi.org/10.1007/s11191-018-00022-0
Gil-Pérez, D., Montoro, I. F., Alís, J. C., Cachapuz, A., & Praia, J. (2001). Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência & Educação (Bauru), 7(1), 125–153. https://doi.org/10.1590/S1516-73132001000200001
Hansson, S. O. (2017). Science denial as a form of pseudoscience. Studies in History and Philosophy of Science Part A, 63(1), 39–47. https://doi.org/10.1016/j.shpsa.2017.05.002
Hansson, S. O. (2021). Science and pseudo-science. In E. Zalta (Ed.), The Stanford encyclopedia of philosophy (Fall 2021 ed.). https://plato.stanford.edu/archives/fall2021/entries/pseudo-science/
Kizilcik, H. S. (2022). Pseudo-scientific beliefs and knowledge of the nature of science in pre-service teachers. International Journal of Research in Education and Science, 8(4), 680–712. https://doi.org/10.46328/ijres.2899
Kuhn, T. S. (1978). A estrutura das revoluções científicas. Perspectiva.
Lakatos, I. (1989). La metodología de los programas de investigación científica. Alianza.
Lederman, N. G., Lederman, J. S., & Antink, A. A. (2013). Nature of science and scientific inquiry as contexts for the learning of science and achievement of scientific literacy. International Journal of Education in Mathematics, 1(3), 138–147. http://www.ijemst.net/index.php/ijemst/article/view/45
Lewandowsky, S., Ecker, U. K. H., & Cook, J. (2017). Beyond misinformation: Understanding and coping with the “post-truth” era. Journal of Applied Research in Memory and Cognition, 6(4), 353-369. https://doi.org/10.1016/j.jarmac.2017.07.008
Lima, G. da S., Lunardi, J. T. T., & Pereira, A. L. (2024). Estado do conhecimento sobre a percepção de pseudociência entre professores. Ensino & Tecnologia em Revista, 8(3), 16–32. https://doi.org/10.3895/etr.v8n3.17799
Martins, A. F. P. (2007). História e filosofia da ciência no ensino: há muitas pedras nesse caminho. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 24(1), 112–131. https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/6056
Martins, A. F. P. (2012). História, filosofia, ensino de ciências e formação de professores: desafios, obstáculos e possibilidades. Educação: Teoria e Prática, 22(40), 5–25. http://educa.fcc.org.br/pdf/eduteo/v22n40/v22n40a02.pdf
Matthews, M. R. (1995). História, filosofia e ensino de ciências: a tendência atual de reaproximação. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 12(3), 164–214. https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/7084
Pasternak, N. (2017). A ciência brasileira e a síndrome de Cassandra [Vídeo]. TED Conferences. https://www.ted.com/talks/natalia_pasternak_a_ciencia_brasileira_e_sindrome_de_cassandra?language=pt-br
Pasternak, N. (2018). O SUS contra a ciência: Silêncio e omissão da comunidade científica sobre certas ‘terapias’ poderá ceifar vidas. O Estado de São Paulo. https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/o-sus-contra-a-ciencia/
Popper, K. (1972). A lógica da pesquisa científica (L. Hegenberg & O. S. Mota, Trad., 3ª ed.). Cultrix.
Pujalte, A. P., Tonellotto, M. N. M., González, M. L. M., & Adúriz-Bravo, A. (2021). Concepciones pseudocientíficas en estudiantado de secundaria y en profesores de biología: Un abordaje exploratorio. Tecné, Episteme y Didaxis: TED. https://revistas.upn.edu.co/index.php/TED/article/view/15470
Romanowski, J. P., & Ens, R. T. (2006). As pesquisas denominadas do tipo “estado da arte” em educação. Diálogos Educacionais, 6(19), 37–50. https://periodicos.pucpr.br/dialogoeducacional/article/view/24176
Sagan, C. (1996). O mundo assombrado pelos demônios: A ciência vista como uma vela no escuro (R. Eichemberg, Trad.). Companhia das Letras.
Schappo, M. G. (Org.). (2021). Armadilhas camufladas de ciência: mitos e pseudociências em nossas vidas. Autografia.
Syed, W. A. P. (2020). Por que criticar medicinas alternativas? Revista Questão de Ciência. https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/artigo/2020/06/12/por-que-criticar-medicinas-alternativas
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Gabriel da Silva Lima, Ana Lucia Pereira, José Tadeu Teles Lunardi

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A IENCI é uma revista de acesso aberto (Open Access), sem que haja a necessidade de pagamentos de taxas, seja para submissão ou processamento dos artigos. A revista adota a definição da Budapest Open Access Initiative (BOAI), ou seja, os usuários possuem o direito de ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, buscar e fazer links diretos para os textos completos dos artigos nela publicados.
O autor responsável pela submissão representa todos os autores do trabalho e, ao enviar o artigo para a revista, está garantindo que tem a permissão de todos para fazê-lo. Da mesma forma, assegura que o artigo não viola direitos autorais e que não há plágio no trabalho. A revista não se responsabiliza pelas opiniões emitidas.
Todos os artigos são publicados com a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional. Os autores mantém os direitos autorais sobre suas produções, devendo ser contatados diretamente se houver interesse em uso comercial dos trabalhos.