Paulo Freire antropofágico: caminhos de participação, engajamento e emancipação na Educação em Ciências
DOI:
https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2026v31n2p427Palavras-chave:
Diálogo de Saberes, Educação em Ciências, Interculturalidade Antropofágica, Paulo Freire, Saberes ComunitáriosResumo
Este ensaio teórico procura contribuir para a fundamentação epistemológica das reivindicações por maior participação e engajamento comunitário nas perspectivas emancipatórias de Educação em Ciências. Em diálogo com os estudos culturais, a sociologia do conhecimento, a educação popular e proposições freirianas, analisa-se a natureza e o papel dos Saberes Comunitários na apropriação contextualizada dos Saberes Disciplinares, ressaltando o potencial destes para o fortalecimento daqueles. A discussão é ilustrada pela narração de dois acontecimentos vivenciados em uma instituição escolar da periferia urbana de uma cidade do nordeste brasileiro, que evidenciam tanto a necessidade de problematizar as “negatividades” das culturas populares quanto a importância de reconhecer e valorizar suas “positividades” nos processos formativos. Com base nessas reflexões e em aportes da filosofia da ciência e da tecnologia, reivindica-se a interculturalidade antropofágica como estratégia política para um Diálogo de Saberes suleado por um horizonte axiológico de sustentabilidade. Argumenta-se que essa perspectiva, ancorada no pós-colonialismo crítico, articula e atualiza categorias freirianas como problematização, interdisciplinaridade, diálogo e participação, sugerindo maior abertura e flexibilidade metodológica nos processos formativos. Conclui-se que uma Educação em Ciências freiriana em clave antropofágica favorece tecituras criativas entre epistemes, culturas, afetos e resistências, fortalecendo as articulações entre comunidades, escolas e universidades.Referências
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